sábado, 9 de maio de 2009

Poeta castrado não!

Serei tudo o que disserem por inveja ou negação: cabeçudo dromedário fogueira de exibição teorema corolário poema de mão em mão lãzudo publicitário malabarista cabrão. Serei tudo o que disserem: Poeta castrado não! Os que entendem como eu as linhas com que me escrevo reconhecem o que é meu em tudo quanto lhes devo: ternura como já disse sempre que faço um poema; saudade que se partisse me alagaria de pena; e também uma alegria uma coragem serena em renegar a poesia quando ela nos envenena. Os que entendem como eu a força que tem um verso reconhecem o que é seu quando lhes mostro o reverso: Da fome já não se fala - é tão vulgar que nos cansa - mas que dizer de uma bala num esqueleto de criança? Do frio não reza a história - a morte é branda e letal - mas que dizer da memória de uma bomba de napalm? E o resto que pode ser o poema dia a dia? - Um bisturi a crescer nas coxas de uma judia; um filho que vai nascer parido por asfixia?! - Ah não me venham dizer que é fonética a poesia! Serei tudo o que disserem por temor ou negação: Demagogo mau profeta falso médico ladrão prostituta proxeneta espoleta televisão. Serei tudo o que disserem: Poeta castrado não!

3 comentários:

Sofá Amarelo disse...

Ary dos Santos sempre! Que mais teria ele escrito se por cá tivesse ficado mais tarde? Que escreveria ele agora que os tempos são (ainda) mais duros? Ary SEMPRE!!!

Um abraço!!!

Joaquim Machado disse...

Talves não saibas mas este foi o primeiro texto que tive na peça "cinco mulheres um travesti e o namorado de uma delas" primeiro grande sucesso do grupo quem não tem cão e que saudades desses tempos .
Um abraço
Joaquim Machado

Quim disse...

Ary 4ever!...Agora escreveria da mesma forma,sem rodeios e sem medos...Sempre sem amarras na voz...
Abraço...

Quem diria,Joaquim!?...Mas há textos e pessoas intemporais...
Abraço...